quarta-feira, 8 de junho de 2011

Faz tempo desde a ultima vez que pude ser sincera comigo mesma, que pude me olhar me no espelho sem enojar-me com a visão que tenho de mim mesma.
 Os cabelos sujos e mãos calejadas, de um ser que fez tudo para ser alguém mas não passava de nada,
minhas olheiras negras refletiam a cor da minha alma amargurada e cheia de lembranças que me faziam estremecer.

Como vim parara aqui em meio a este mar de lamurias e orações aleatorias sem nenhum sentido?
Quando foi que eu desaprendi a ser respeitada, ou no mínimo respeitável?
Olhei desesperada ao meu redor procurando respostas ou  mesmo perguntas que realmente fizessem sentido, 
mas o silencio que me era concedido era ameaçador me dava pequenos arrepios na espinha que percorriam as minhas costas de um jeito assustador.

 Eu estava cansada de procurar e me sentia suja embora fisicamente estivesse completamente limpa graças a minha mania de superioridade, 
 me contradizia em cada suspiro. 
Cada  respiração me levava pra mais longe do que quer que eu fosse ou tentava ser, nada mais podia me arrancar um sorriso torto, eu fechava os olhos tentando acordar daquilo que eu nem sabia o que era,
sem ninguém para amar e nem ao menos amada, só aquele cachorro pulguento ainda não me abandonara,
porque de alguma coisa eu ainda lhe servia, e mesmo aquele pão duro parecia ser mais desejado que a minha presença.
 E por isso eu deveria agradecer? Pela vida que me foi dada? Pela vida miserável que eu estou vivendo? Ouro e diamantes não me valem a discórdia iminente, o brilho dos meus brincos não trazem a felicidade  que me foi prometida pelo promíscuo e encantador vendedor de jóias
 Comprador de almas!
fecho os meus olhos me perdendo em minhas fantasias rezando para nunca mais achar meu caminho de volta
um gole de Gim queima minha garganta, mas a dor ainda não se compara a dor da vergonha de não me orgulhar de mim mesma, de ser um fracasso. Olho-me naquele maldito espelho que mostra nada, alem da verdade, mostra quem eu sou, quem eu era...  pois as mãos que desdenharam do ser, são as mãos que vejo de relance antes de finalmente não ver mais nada.

terça-feira, 7 de junho de 2011

5 segundos

 Eles conversavam perto do portão de entrada da casa dela era uma visita costumeira e boa, eles eram um casal jovem e apaixonado, ele dizia coisas bonitas para arrancar os sorrisos dela e sempre conseguia, e não havia maior felicidade, brincadeiras bobas e beijos roubados as vezes a deixava corada, sua pele morena de sol faiscava na presença dele e seus olhos brilhavam, reflexos da lua, cheia, que iluminava o casal
 Ela: Você me ama ?
 Ele: Como nunca amei ninguém
 Ela: Então me prometa que nunca me deixará
Ele a olhou nos olhos enquanto procurava algo nos bolsos ela ainda esperando uma resposta e olhando curiosamente para seu amado quando ele tirou um peão de dentro do bolso e entregou pra ela ainda sem dizer nada. ela continuou encarando-o com uma expressão confusa
 Ele: eu estarei com você enquanto esse peão puder rodar
dizendo isso ele pegou o peão e com as pontas dos dedos o pôs a girar e após alguns segundos ele começou a perder as forças e girar bem devagar e ela ficou com uma expressão triste no rosto enquanto ele apenas estava encantado com o peão
 Ela: ele não tem forças suficientes para rodar pra sempre
 ele sorriu
 Ele: Mas enquanto você estiver viva você pode fazê-lo rodar.



                                                                                                                                Dii Tramassio