Os cabelos sujos e mãos calejadas, de um ser que fez tudo para ser alguém mas não passava de nada,
minhas olheiras negras refletiam a cor da minha alma amargurada e cheia de lembranças que me faziam estremecer.
Como vim parara aqui em meio a este mar de lamurias e orações aleatorias sem nenhum sentido?
Quando foi que eu desaprendi a ser respeitada, ou no mínimo respeitável?
Olhei desesperada ao meu redor procurando respostas ou mesmo perguntas que realmente fizessem sentido,
mas o silencio que me era concedido era ameaçador me dava pequenos arrepios na espinha que percorriam as minhas costas de um jeito assustador.
Eu estava cansada de procurar e me sentia suja embora fisicamente estivesse completamente limpa graças a minha mania de superioridade,
me contradizia em cada suspiro.
Cada respiração me levava pra mais longe do que quer que eu fosse ou tentava ser, nada mais podia me arrancar um sorriso torto, eu fechava os olhos tentando acordar daquilo que eu nem sabia o que era,
sem ninguém para amar e nem ao menos amada, só aquele cachorro pulguento ainda não me abandonara,
porque de alguma coisa eu ainda lhe servia, e mesmo aquele pão duro parecia ser mais desejado que a minha presença.
E por isso eu deveria agradecer? Pela vida que me foi dada? Pela vida miserável que eu estou vivendo? Ouro e diamantes não me valem a discórdia iminente, o brilho dos meus brincos não trazem a felicidade que me foi prometida pelo promíscuo e encantador vendedor de jóias
Comprador de almas!
fecho os meus olhos me perdendo em minhas fantasias rezando para nunca mais achar meu caminho de volta
um gole de Gim queima minha garganta, mas a dor ainda não se compara a dor da vergonha de não me orgulhar de mim mesma, de ser um fracasso. Olho-me naquele maldito espelho que mostra nada, alem da verdade, mostra quem eu sou, quem eu era... pois as mãos que desdenharam do ser, são as mãos que vejo de relance antes de finalmente não ver mais nada.
sem ninguém para amar e nem ao menos amada, só aquele cachorro pulguento ainda não me abandonara,
porque de alguma coisa eu ainda lhe servia, e mesmo aquele pão duro parecia ser mais desejado que a minha presença.
E por isso eu deveria agradecer? Pela vida que me foi dada? Pela vida miserável que eu estou vivendo? Ouro e diamantes não me valem a discórdia iminente, o brilho dos meus brincos não trazem a felicidade que me foi prometida pelo promíscuo e encantador vendedor de jóias
Comprador de almas!
fecho os meus olhos me perdendo em minhas fantasias rezando para nunca mais achar meu caminho de volta
um gole de Gim queima minha garganta, mas a dor ainda não se compara a dor da vergonha de não me orgulhar de mim mesma, de ser um fracasso. Olho-me naquele maldito espelho que mostra nada, alem da verdade, mostra quem eu sou, quem eu era... pois as mãos que desdenharam do ser, são as mãos que vejo de relance antes de finalmente não ver mais nada.
